O Dízimo é Bíblico?
(Apostatamos! nº 02, 12 de março de 2008. Versão para Impressão. Acesse a segunda parte desse artigo em: Apostatamos!)
“Quem me dera ao menos uma vez, ter de volta todo o ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade que alguém levasse embora até o que eu não tinha” – Legião Urbana, Índios.
Cheguei a uma conclusão alarmante. Deus está com o nome sujo! Até posso imaginar os registros do Serasa: “Senhor Deus do Céu da Silva, CPF nº 777.777.777-77”. Cheques divinos devem estar voltando, os “Heaven-Cards” corporativos dos anjos estão com o limite estourado, há uma crise de crédito no céu! Talvez por isso as pessoas não acreditem mais no evangelho e os “crentes” sejam tão mal vistos na sociedade.
Perdoem-me os leitores o humor negro, o problema é que não existe outra maneira de justificar o tempo gasto nas igrejas evangélicas para se pedir dinheiro. É impressionante! Na maioria delas a extorsão, ops!, pedição, ops!, “pregação” para saquear o bolso dos fiéis é mais extensa do que o apelo aos pecadores. Você pode não aceitar Jesus, mas é inaceitável sair sem deixar seus trocados por ali. E não pense que estou falando da Universal ou Renascer, nada disso, cada vez mais o “ofertório” domina os cultos das pequenas congregações, ou das grandes que precisam sempre melhorar seus templos, aumentar os prédios e comprar novas poltronas acolchoadas para melhor acomodar a bunda, ops!, o bolso, ops!, as almas dos fiéis. Não entendo porque pedir tanto dinheiro. Mas se os pastores falam que é para a “obra de Deus” então tudo bem, só que eles serão obrigados a admitir que nosso bom Senhor andou gastando mais do que podia e está com a conta no vermelho.
Largue já a sua Bíblia! Antes de me chamar de herege, do grego αιρεσις (hairesis), e que quer dizer simplesmente “fazer uma escolha, ter uma preferência”, assumindo apenas o caráter pejorativo quando confronta a Verdade Escriturística, saiba o significado do desvio que me condena! É uma hairesis proposital o segundo artigo consecutivo com frases da Legião Urbana, e me condenem os comensais da música gospel, mas infelizmente não encontro muitas verdades no mercado fonográfico evangélico ultimamente. Pensei em achar uma canção para ilustrar essa coluna, que fala sobre dízimos e ofertas, mas o que usaria? E nem me fale de “restituição”…
“Índios”, minha hairesis proposital desta coluna, é quase um clamor profético de todos aqueles que foram enganados por pastores inescrupulosos, aqueles que oferecem o mundo se o fiel fizer um “sacrifício”. Deus não precisa do nosso dinheiro, e o sofrido salário que a maioria dos brasileiros recebe não é ganho para alimentar a cobiça de pastores evangélicos.
Agora que desabafei posso começar a falar sério e tentar expor um pouco do que a Bíblia fala sobre “dar e receber”. A propósito, da próxima vez que você vir um pastor pedindo dinheiro por aí e dizendo que a “Obra de Deus” precisa disso, lembre-se que o Deus verdadeiro, o Deus de Israel, o Senhor Todo-Poderoso, é dono do “ouro e da prata” (cf. Ageu 2.8), e que os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo não andavam por aí de carro importado, aliás, eram proibidos de carregar dinheiro (cf. Mateus 10.9; Atos 3.6; 20.33; 1ª Pedro 1.18). Pois bem, vou provar dentro da Escritura, que pastor algum pode sair por aí pedindo em nome de Deus, e nem prometer terrenos no céu em troca da grana que você dá.
Comecemos pelos dízimos. A versão de João Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada, que é a Bíblia da grande maioria da população, registra apenas quarenta e três ocorrências da palavra “Dízimo” (Gênesis 14.20; 28.22; Levítico 14.10; 14.21; 23.13; 23.17; 24.5; 27.30; 27.31; 27.32; Números 18.21; 18.24; 18.26; 18.28; 18.30; Deuteronômio 12.6; 12.11; 12.17; 14.22; 14.23; 14.28; 26.12; 26.14; 2º Crônicas 31.5; 31.6; 31.12; Neemias 10.37; 10.38; 12.44; 13.5; 13.12; Amós 4.4; Malaquias 3.8; 3.10; Mateus 23.23; Lucas 11.42; 18.12; Hebreus 7.2; 7.4; 7.5; 7.6; 7.8; 7.9). Logo, até o mais conservador dos teólogos irá concordar comigo quando digo que isso é tudo o que a Bíblia diz sobre o assunto. A palavra hebraica para dízimo é מעשך (ma’sar), e a encontramos 32 vezes na Bíblia Hebraica, com cinco declinações e em 27 versículos. Seu significado não compreende nenhuma definição teológica, quer dizer simplesmente “a décima parte”, em todas as suas variações possíveis. O mesmo se dá com o radical grego δεκατη (dekate), palavra que a Septuaginta utilizou para tradução de ma’sar. Sendo assim, a primeira definição bíblica que temos de “dízimo” é que ele se trata da décima parte de algo, e ponto. Isso torna antibíblico qualquer ensinamento que vise estipular um “dízimo” numa porcentagem superior ou inferior a esse patamar. Se vamos dar “dízimo” deve ser dez por cento.
Agora, analisando as passagens vamos descobrir o que é o dízimo. Deixemos de lado momentâneamente os dois versículos de Gênesis, que devem ser estudados à partir da interpretação que o autor de Hebreus deu a eles, e vamos até o livro de Levítico, capítulo vinte e sete.
“Todos os dízimos da terra, seja dos cereais, seja das frutas, pertencem ao Senhor; são consagradas ao Senhor. Se um homem desejar resgatar parte do seu dízimo, terá que acrescentar um quinto ao seu valor. O dízimo dos seus rebanhos, um de cada dez animais que passem debaixo da vara do pastor, será consagrado ao Senhor. O dono não poderá retirar os bons dentre os ruins, nem fazer qualquer troca. Se fizer alguma troca, tanto o animal quanto o substituto se tornarão consagrados e não poderão ser resgatados” – versos 30-33, Nova Versão Internacional.
Nessa passagem temos o primeiro mandamento bíblico a respeito do dízimo. Ele diz respeito exclusivamente ao fruto da terra e aos animais do campo. É uma lei relativamente simples destinada a uma sociedade simples, cuja a economia girava em torno da agropecuária. Vejamos um comentário sobre o dízimo no mundo antigo:
No mundo antigo, geralmente o dízimo era um tipo de cobrança de impostos. Os dízimos eram pagos ao templo e ao rei. Visto que os proventos e a riqueza de uma pessoa não eram primordialmente em forma de dinheiro, todos os bens eram incluídos nos cálculos do dízimo. – Walton, John H.. In: Comentário Bíblico Atos: Antigo Testamento. Belo Horizonte: Editora Atos, 2003. Comentário em Gênesis 28.22, pg. 60.
Como podemos observar no texto de Levítico essa prática de calcular-se o dízimo à partir do valor total dos bens de uma pessoa não foi imposta na Lei de Moisés, a Torah. Os judeus deveriam apenas dizimar sobre os frutos da terra e os animais do campo, dom natural de Deus, e no caso dos animais era terminantemente proibido oferecer o dízimo sobre a forma de dinheiro. Até aqui nossos estudos dão margem para desacreditar todas essas campanhas que existem hoje para dar-se dízimos de todos os bens que possuímos, a menos é claro que sejamos pecuaristas ou agricultores. A próxima ocorrência de ma’sar no texto bíblico esclarece-nos mais um questão: a quem deveria dar-se o dízimo?
Disse ainda o Senhor [...]: “Dou aos levitas todos os dízimos em Israel como retribuição pelo trabalho que fazem ao servirem na Tenda do Encontro. [...] Dou como herança aos levitas os dízimos que os israelitas apresentarem como contribuição ao Senhor”. [...] O Senhor disse depois a Moisés: “Diga o seguinte aos levitas: Quando receberem dos israelitas o dízimo que lhes dou como herança, vocês deverão apresentar um décimo daquele dízimo como contribuição permanente ao Senhor. [...] Desses dízimos vocês darão a contribuição do Senhor ao sacerdote Arão. E deverão apresentar ao Senhor a melhor parte, a parte consagrada de tudo o que for dado a vocês”. – Números 18.20a,21,24a,25,26,28b.
Esses versos do livro de Números não somente respondem as nossas perguntas como também acrescentam um fato a nossa discussão. A quem pertenciam os dízimos afinal? O texto deixa claro que não eram os israelitas que “davam” os dízimos aos levitas, era o Senhor, e o povo de Israel era simplesmente o canal de devolução do gado e da safra. Partindo dessas constatações simples, J. D. Douglas concluiu o artigo sobre “Dízimos” do Novo Dicionário da Bíblia:
A essas leis comparativamente simples do Pentateuco que governavam os dízimos, foi adicionada uma hoste de minúcias que transformou um lindo princípio religioso numa carga insuportável. Essas complexas adições estão registradas na literatura mishnaica e talmúdica. Essa infeliz tendência dos israelitas sem dúvida contribuiu para a convicção que a aceitação perante Deus podia ser merecida através de tais observâncias rituais como o pagamento dos dízimos (Lucas 11.42) mesmo sem a submissão à lei moral da justiça, da misericórdia e da fé (Mateus 23.23s). – Douglas, J. D.. In: O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 2006. verbete “Dízimos”, pg. 358.
Uma ótima leitura do senhor Douglas e que muito nos ensina sobre algumas realidades vividas hoje. É que muito do que entendemos sobre dízimos e ofertas não está necessariamente nas páginas da Bíblia, mas foi entregue a nós por uma tradição que nem sempre foi fiel aos preceitos da Sagrada Escritura.
Seguindo a trilha das ocorrências de ma’sar encontramos outra questão importante: o lugar onde deveriam ser entregues os dízimos. O capítulo doze de Deuteronômio fala do lugar de adoração por excelência dos hebreus…
“Vocês, porém, não adorarão o Senhor, o seu Deus, como eles adoram os seus deuses. Mas procurarão o local que o Senhor, o seu Deus, escolher dentre todas as tribos para ali pôr o seu Nome e sua habitação. Para lá vocês deverão ir e levar holocaustos e sacrifícios, dízimos e dádivas especiais, o que em voto tiverem prometido, as suas ofertas voluntárias e a primeira cria de todos os rebanhos. Ali, na presença do Senhor, o seu Deus, vocês e suas famílias comerão e se alegrarão com tudo o que tiverem feito, pois o Senhor, o seu Deus, os terá abençoado” – versos 4-7, Nova Versão Internacional.
Esse local foi a cidade de Jerusalém. E aqui encerramos a doutrina do Pentateuco sobre dízimos:
1º. Deve ser devolvida ao Senhor a décima parte de toda a safra colhida da terra e de todos os rebanhos criados no campo;
2º. A safra ou o dinheiro arrecadado de sua venda, e os rebanhos vivos devem ser entregues aos levita, para seu sustento pessoal;
3º. Os dízimos devem ser entregues em Jerusalém.
Em Deuteronômio 14.28 existe a permissão da entrega do dízimo a cada três anos na cidade onde morava o fiel.
Agora, perdoem-me a ignorância, mas isso é tudo o que diz a Torah à respeito de dízimos. Então, baseado no que aprendemos até aqui, só podemos dizimar frutas e animais. Contornando esse ponto, para fugir da acusação de radicalismo, admitamos a entrega de dízimos de outros bens (embora seja alheia a Escritura estudada até aqui), mesmo se pudermos dar dez por cento de nossos salários, temos de entregar a um levita! Se algum leitor conhecer um levita, que trabalhe no Templo do Senhor, por favor, me avise. Mesmo admitindo a heresia blasfema de que levitas são os servos de Deus na atualidade que vivem da sua obra (o que arrancaria o livro de Hebreus do Novo Testamento para se tornar verdade escriturística), só poderíamos entregar os dízimos na cidade de Jerusalém, e essa meus amigos, ou está sob bombardeio terrorista ou nos céus… Apostatamos se pensamos de outra forma. Mas vamos amenizar a situação e procurar outras ocorrências de ma’sar.
Em 2º Crônicas 31.6,12, durante a grande reforma religiosa do rei Ezequias, dízimos voltaram a ser entregues depois de muito tempo. Com três detalhes, claro. Foram entregues dízimos de “todos os rebanhos”, aos levitas que serviam no Templo na cidade de Jerusalém. Nada mudou no que foi aprendido até aqui. Prossigamos, e em Neemias, depois do exílio Babilônico, temos a mesma situação: em 10.37, são entregues os dízimos da terra; em 10.38 e 12.44 eles são entregues na “Casa do Senhor” (o Templo de Jerusalém); em 13.5,12 são entregues os dízimos dos cereais. Tudo isso em Jerusalém, portanto nenhuma novidade. Passam-se todo os livros poéticos e históricos, os grandes profetas Isaías e Jeremias, e nenhuma menção de “dízimos”, até o livro de Amós. O capítulo quatro não é nada agradável, começa chamando seus destinatários de “vacas de Basã”, e no versículo quatro pede que eles continuem pecando e trazendo dízimos regularmente, para dizer no versículo seis que a fome foi uma maldição enviada pelo Senhor. Logo, Amós 4.4 é um péssimo exemplo para utilizar-se na coleta de dízimos em um culto…
Meu coração mal suportava a ansiedade! Finalmente chegamos em Malaquias. Os escritos desse profeta, que viveu entre 397 e 331 antes da nossa era, o último dos “profetas menores”, são uma pesada denúncia contra um sacerdócio corrompido e um povo iníquo. É particularmente triste que hoje homens de Deus o utilizem para pedir dinheiro às pessoas. Se os motivos que nos levarem a dizimar são aqueles descritos pelo profeta, então temos sérios problemas com Deus, que não serão resolvidos apenas dando nosso dinheiro.
O fato é que Malaquias 3.8,10 não muda nada do que aprendemos sobre dízimos. Diz-se no verso oito que o homem pode roubar a Deus, e de fato, se os israelitas deixassem de dar seus dízimos, do cereal e dos rebanhos, estariam roubando ao Senhor. No verso dez o povo de Israel é exortado a entregar seus dízimos no owtsar, “tesouro, depósito”, que Almeida traduziu por “Casa do Tesouro” e a NVI por “Depósito do Templo”. Ora, que templo era esse? O de Jerusalém. E para o sustento de quem deveriam ser entregues os dízimos? Dos levitas e sacerdotes. Muda alguma coisa no que foi aprendido até agora?
É engraçado que a maioria das prescrições da Torah seja ignorada pela grande massa dos evangélicos nos dias de hoje. O sábado não é mais o dia do Senhor, que deve ser celebrado no domingo, mesmo sem haver um só versículo no Novo Testamento que sustente essa afirmação. Podemos comer carne de porco (graças a Deus pelo bacon!) e as mulheres podem participar ativamente dos cultos. Claro, a Lei foi de muitas formas ultrapassada pela graça! Acho muita hipocrisia que o dízimo, a parte que interessa aos bolsos dos pastores na Lei seja tão valorizada. Estamos roubando a Deus se deixarmos de entregar nossos dízimos? Claro, se formos judeus, agricultores ou pecuaristas, e tivermos levitas trabalhando no Templo de Jerusalém para sustentar. Do contrário, a-pos-ta-ta-mos, ao cobrar dízimos como se fossem um mandamento atual.
O pior não está aí! Quem nunca ouviu que o devorador seria “repreendido” com a paga dos dízimos? Não poderia pensar em mais terrível blasfêmia contra a cruz de Cristo que essa! É que Colossenses 2.15 diz que Jesus despojou todos os principados e potestades, triunfando sobre eles na Cruz. Ou seja, todos os demônios foram derrotados na cruz. Será que o “devorador” não? Apocalipse 1.18 diz que Jesus têm nas mãos as chaves da morte e do inferno. O fato é que se pregamos que o dízimo é o que faz Deus segurar qualquer tipo de demônio estamos dizendo que a cruz não foi suficiente para nos libertar do inferno, e isso é uma terrível heresia.
Uma vez provado irrefutável e circunstancialmente que não há base alguma no Antigo Testamento para se pedir dízimos nas igrejas de hoje, podemos partir para o próximo passo e encerrar nossa análise completa sobre o que a Bíblia diz sobre esse assunto.
As primeiras vezes que as palavras gregas para dízimo aparecem no Novo Testamento merecem ser transcritas na íntegra:
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei: o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas. – Mateus 23.23, Almeida Corrigida e Fiel.
Ai de vocês, fariseus, porque dão o dízimo da hortelã, da arruda e de toda a sorte de hortaliças, mas desprezam a justiça e o amor de Deus! Vocês deveriam praticar essas coisas, sem deixar de fazer aquelas. – Lucas 12.42, Nova Versão Internacional.
Já sei, você acha que me pegou, já que Jesus disse que eles deveriam praticar o amor, o juízo, a misericórdia e a fé, mas sem deixar de dar o dízimo. Devo admitir que o leitor tem razão. Mas espero sinceramente que você não seja um escriba ou fariseu, muito menos hipócrita. Jesus falava para judeus, que deveriam seguir a Lei de Moisés e devolver os dízimos, e esses homens, aliás, davam dízimo de “toda a sorte de hortaliças”, como prescreve a Torah. A menos que o leitor moderno se enquadre na mesma categoria daqueles homens, salva a prescrição de dar a devida importância a valores universais como justiça fé e amor, o mandamento de “fazer essas coisas” (dar dízimo) é uma observação natural de Jesus, um judeu, para os ouvintes judeus do seu discurso. Infelizmente essas palavras nunca deixaram de ser atuais, e muitos “dizimistas” hoje se acham no direito de julgar aqueles que “dão” menos que eles. Mas não precisamos falar sobre eles quando o próprio Cristo já falou. Lucas 18.12 fala de outro fariseu, e não vamos nos ocupar com ele.
Finalmente chegamos ao segundo ponto esperado com ansiedade por esse autor. O ápice da exegese neotestamentária sobre o dízimo: o livro de Hebreus. O capítulo sete traz cinco ocorrências da palavra para “dízimo”. Toda a linha de raciocínio do autor parte do episódio de Gênesis 14.17-20, onde Abraão entrega dízimos a Melquisedeque. Ele explica a natureza da necessidade dos dízimos (v. 5): “A Lei requer dos sacerdotes dentre os descendentes de Levi que recebam o dízimo do povo, isto é, dos seus irmãos”. Aprendemos que isso é verdade e porque deve ser assim. Mas o mais interessante não está aí, e sim à partir do verso onze:
Se fosse possível alcançar a perfeição por meio do sacerdócio levítico (visto que em sua vigência o povo recebeu a Lei), porque haveria necessidade de se levantar outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque e não de Arão? Certo é que, quando há mudança de sacerdócio, é necessário que haja mudança de lei. Ora, aquele de quem se dizem estas coisas pertencia a outra tribo, da qual ninguém jamais havia servido diante do altar, pois é bem conhecido que nosso Senhor descende de Judá, tribo da qual Moisés nada fala quanto a sacerdócio. [...] A ordem anterior é revogada, porque era fraca e inútil (pois a Lei não havia aperfeiçoado coisa alguma), sendo introduzida uma esperança superior, pela qual nos aproximamos de Deus. – Hebreus 7.11-17;18,19, Nova Versão Internacional.
O leitor honesto consigo mesmo irá concordar que o assunto de que se fala do versículo onze em diante é continuação dos enunciados que se deram até ali. Portando, primeiro se falou de dízimos, como exemplo absoluto da Lei, agora fala-se da revogação do sacerdócio, a quem era destinado dar-se os dízimos, e da própria Lei. Ora, se a Lei e o sacerdócio que ela trazia foram revogados, e isso é um fato incontestável, como sustentar que ainda devemos dar os dízimos pelos motivos descritos, por exemplo, em Malaquias 3.10?
Hebreus é perfeitamente claro em afirmar que a Lei, inclusive o dízimo e os “levitas” foram REVOGADOS, SUBSTITUÍDOS por Cristo. Ora, caros leitores, isso torna nossas últimas três mil palavras desnecessárias. Mas com certeza os mais doutos que me leêm irão recorrer a passagem de Gênesis 28.22, onde Jacó promete dar o dízimo de tudo o que o Senhor lhe abençoar. Ótima observação caro leitor atento e conhecedor da Escritura, mas infelizmente (para você e para os pastores que vivem do dízimo dos incautos fiéis), acredito que não poderás me responder sobre a quem e aonde Jacó entregava seus dízimos. Já que não havia sacerdotes nem templos nas regiões em que ele morava durante a época em que viveu. O mais sensato de dizer-se sobre essa passagem, e concordam comigo os comentários, é que como Jacó era pecuarista, os dízimos que ele entregava eram todos convertidos em refeições sagradas e sacrifícios ao Deus de seus pais. Ou seja, havia muito churrasco e muita carne queimada nas tendas de Jacó.
Perdoe-me o leitor, mas esse assunto é por demais amplo, e acabou gastando-se mais espaço que o habitual desta coluna. Claro que ainda não terminamos, precisamos falar das ofertas, do contrário os pastores ainda terão como anunciar ao mundo a mentira de que o nosso grande Deus está passando por problemas financeiros. Aprendemos nessa coluna de hoje que pedir dízimos é uma apostasia moderna, que foi desmascarada diante de nossos olhos, com firme apoio do Novo Testamento.
Apostatamos! sempre que pedimos dízimos em nossos cultos. Aprenderemos mês que vem contudo que não é bem essa festa que você pode estar fazendo nesse momento. Não devemos deixar de honrar a Deus com nossas finanças, mas a maneira como isso vem sendo abordado pelas igrejas atualmente é uma apostasia à parte. Até a próxima coluna, e aceito sugestões de frases de músicas evangélicas que falem a verdade sobre ofertas.
Ai de vocês, porque dão o dízimo, mas desprezam a justiça e o amor de Deus! – Jesus Cristo.
Por Emerson Silva. Curitiba, 12 de março de 2008.
A segunda parte desse artigo já está disponível! Acesse em: “Dízimos e Ofertas 2”.
nao achei nada
que ……………
pagem o dizimo
Muito bom, cara! No dia 25/08/08 haverá um link para essa página no humornaigreja.net84.net. Ela já será a página padrão para explicações a respeito do dízimo.
E mais: concordo com tudo o que está escrito.
parabéns pelo artigo, na Igreja qual estou pastor já estamos libertos do dizimo, todos os membros são felizes, contribuem conforme 2 corintios 9:7
Comunidade Cristã Oikos – Avenida do Contorno, 700-Joquey Club – Sao gonçalo – rj 21 3246-1212
Estamos divulgando já em dois jornais
cara me responda. como as igrjas irao pagar as contass, os gastos as despezas, conte de luz, agua etc…. vc ve o governo ajudando a igreja: NAO claro que naum ninguem ajuda,,, porque é mas faciu falar mal e criticar né ao inves de ficar falando essas abobrinhass vai aceitar jesus kra… da pra perceber que vc é um kra muito inteligeunteeee,,, use-a pra Deus ele tem um grande plano pra vc vlw ate mais espero respostasssssss abraçooooooo
Preciso refletir a respeito, mas o último comentário é de uma lógica indesculpável: agora algo tem que ser aceito como verdade pq o governo não ajuda a igreja??? E desde quando o governo deveria ajudar alguém??? Ainda mais a igreja??? Em Atos, vemos que a comunidade dos cristãos dava segundo as suas posses e todos eram felizes (ou seja, ninguem dava mais do que tinha e depois saia reclamando da vida). Cada um ajudava como queria e pronto. E a igreja vivia disso e pregava a Palavra, não vivia de tetos pintados de azul, cadeiras acolchoadas e pregações sobre dízimos.
Olá Solid Snake (será por causa do Metal Gear?? Eheheh)
Obrigado por ter lido. Reflita mesmo, e nos conte o que entendeu. É importante acompanhar o estudo até a última parte, pois ler apenas a primeira e/ou a segunda prejudica o entendimento correto sobre a questão de ofertar. Muitos lêem apenas uma parte, ou trechos, e já se acham livres para não ajudarem de forma alguma. Isso é complicado.
Quando à ajuda financeira da máquina governamental, também não concordamos. Achamos que o estado deve se manter laico, sem beneficiar esta ou aquela instituição religiosa. Paulo fazia tendas pois não queria ser peso para ninguém (cf. 2ª Coríntios 12). As igrejas devem se manter com suas próprias fontes, mas sem exigir, aliás, se possível nem pedir dinheiro de qualquer espécie! Infelizmente muitos fiéis acabam sendo usados por líderes, e é contra essa atitude que lutamos contra.
Abraço, Deus abençoe