nunca se abala, está firme para sempre.”
Salmos 125.1 (Bíblia de Jerusalém)
Desde que me entendo por gente, essa canção do Salmos 125 é cantada. Uma bela poesia, que transformou-se num belo louvor, mas que infelizmente não tem sido praticada. O que vemos hoje são milhões de pessoas correndo atrás de outras coisas que trazem uma aparente segurança, como o dinheiro, o status, o poder ou as pessoas. Não podemos nem culpar o “mundo” por tais problemas, uma vez que eles estão enraizados em nosso meio. Deus sabe das nossas intenções, por isso muitas vezes que pedimos em Seu nome alguma coisa Ele diz “não”, pois pode haver alguma motivação errada. O versículo de 1 João 5.14 é claro quando diz que Deus nos responde segundo a Sua vontade, e não a nossa. “Mas, bem, se Deus não quer me dar, então vou atrás”. Pois é, muitos fazem isso, e daí começam a buscar os próprios interesses, correr com as próprias pernas, lutar com a própria força, ignorando a vontade do Senhor.
Raciocinemos. Se Deus é nosso Pai e sempre nos dá o melhor, se Ele nos conhece e sabe o que é bom ou ruim, se Ele se preocupa conosco, então porque apenas não confiar que Ele está fazendo o que é certo? Parece simples, e de fato é, quando deixamos nossos medos e vontades de lado e decidimos apenas crer. É triste, mas não é privilégio de nossos tempos, não confiar plenamente em Deus, vide as dezenas de histórias narradas na Bíblia. Vou mostrar apenas uma delas:
Em Jeremias 42 e 43 podemos ler a história dos poucos sobreviventes de Israel que restaram após a conquista da Babilônia. Eles estavam em fuga para o Egito com medo da represália que Nabucodonosor poderia fazer-lhes, uma vez que o novo líder instituído por ele fora morto por alguns judeus rebeldes. Nesse ínterim, procuraram Jeremias pedindo que ele orasse a Deus em busca de uma orientação sobre o que fazer. Ele buscou, então, e a resposta de Deus foi que deviam ficar na terra e não temer o inimigo, e, dessa forma, nenhum mal iria lhes acontecer (42.10-12). Ao mesmo tempo que Deus tinha uma promessa se eles obedecessem, tinha uma maldição caso desobedecessem: seriam mortos pela guerra, fome ou peste (42.17), e não tornariam a ver a terra deles (42.18). É incrível continuar a leitura e descobrir que eles não acreditaram em Jeremias, dizendo que não era Deus quem havia falado (43.2), mesmo depois de todas as suas profecias terem se cumprido. Escolheram ir para o Egito, e o que aconteceu? Morreram.
Deus sempre desejou que apenas confiássemos nEle. Seja no Jardim do Éden, quando confiou em Adão e Eva a liberdade, e desejava que eles confiassem nEle e acreditassem que havia uma árvore que não era boa e que traria morte (cf. Gênesis 2.17). Assim estamos muitos de nós hoje. Não queremos ouvir o que Deus quer de nós, nem que caminho devemos seguir, muito menos o que devemos ou não fazer. Queremos, sim, que nosso caminho seja apenas abençoado por Deus, que Ele nos acompanhe (e não que nós o acompanhemos). A falta de confiança em Deus está diretamente ligada a fé, que está diretamente ligada à obediência, que, por sua vez, está diretamente ligada ao amor. Se não confiamos significa que não acreditamos. Se não acreditamos, não amamos, uma vez que o “amor tudo crê” (cf. I Coríntios 13.7). Confiar em Deus nos traz paz, nos traz segurança, podemos estar seguros de que Ele está no controle de tudo, não precisamos mais nos preocupar.
Os salmistas já afirmavam que quem teme ao Senhor deve confiar nEle, assim ele seria nosso socorro e nosso escudo (cf. Salmos 115.11), nada precisaríamos temer (cf. Salmos 56.4). No Salmo 71.5, o autor diz que confia em Deus desde a sua juventude, ou seja, desde que tomava decisões por conta própria ele decidiu confiar no Senhor, a esperança dele. Em Isaías 30.15, lemos: “Diz o Soberano, o SENHOR, o Santo de Israel: “No arrependimento e no descanso está a salvação de vocês, na quietude e na confiança está o seu vigor, mas vocês não quiseram.” (NVI). Mais algumas promessas do Senhor para aqueles que confiam nEle. Basta querer, como diz ao final do versículo. Confiando e aquietando teremos vigor, força para continuar, para caminhar, pois mesmo que o caminho seja de vales de sombra e morte, o nosso Bom Pastor está conosco (cf. Salmos 23.4), e nos guia por veredas justas (cf. Salmos 23.3).
Confiar em Deus também nos permite rasgar nosso coração, falarmos abertamente com ele sem medo de Sua ira. Em Hebreus 10.35 o autor nos exorta a não abandonar a nossa confiança, uma vez que ela tem grande galardão. Essa palavra para confiança, no original grego parrhesia (Strong 3954), quer dizer “liberdade em falar, franqueza na fala; sem segredo; confiança aberta e destemida, audácia, segurança”. Quão maravilhoso é nosso Deus! Por que motivo não confiar nEle? Por que ter medo? São tantas as promessas para aqueles que confiam, para aqueles que obedecem e desejam seguir os caminhos por Ele propostos! Podemos chegar diante dEle e falar, em segurança, sem segredo.
Que possamos a cada dia crescer em confiança no Senhor, aquele que zela por nós, que cuida dos justos enquanto eles dormem, que não permite que um fio de cabelo caia sem a sua permissão. Àquele que nos criou seja toda a honra e toda a glória! Bendito é o Senhor por Seu Grande amor!
“Mas bendito é o homem cuja confiança está no SENHOR, cuja confiança nele está. Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto.”
Jeremias 17.7-8 (Nova Versão Internacional)